quinta-feira, 8 de maio de 2008

balançar

Pedes-me um tempo para balanço de vida mas eu sou de letras, não me sei dividir. Para mim um balanço é mesmo balançar, balançar até dar balanço e sair...

Pedes-me um sonho para fazer de chão mas eu desses não tenho, só dos de voar. Agarras a minha mão com a tua mão e prendes-me a dizer que me estás a salvar...

De quê? De viver o perigo
De quê? De rasgar o peito
Com o quê? De morrer mas de que paixão?
De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e nao ter, nem sentir o vento ardente a soprar o coração..

Prendes o mundo dentro das mãos fechadas, o que cabe é pouco mas é tudo o que tens. Esqueces que às vezes, quando falha o chão, o salto é sem rede e tens de abrir as mãos.

Pedes-me um sonho para juntar os pedaços mas nem tudo o que parte se volta a colar. E agarras a minha mao com a tua mao e prendes-me e dizes-me para te salvar...

De quê? De viver o perigo
De quê? De rasgar o peito
Com o quê? De morrer mas de que paixão?
De quê? Se o que mata mais é não ver o que a noite esconde e nao ter, nem sentir o vento ardente a soprar o coração..

Mafalda Veiga, "Balançar"


Sem comentários: